CIOs falam sobre desafio de cumprir o planejamento.

Elaboração de um bom plano estratégico de TI e integração forte com áreas de negócio são essenciais no cumprimento de metas e objetivos.


Cada vez mais a tecnologia da informação tem se tornado essencial para o alcance das metas e planos das empresas. Essa mudança vem a reboque da adoção de conceitos de boa governança que estabelecem indicadores de desempenho para a TI e permitem avaliar o cumprimento do papel da área no desenvolvimento do planejamento estratégico. A terceira edição do estudo Antes da TI, a Estratégia, elaborado pela IT Mídia em parceria com Sergio Lozinsky, consultor especializado em TI, apontou que, em 2012, 48% das empresas classificadas entre as mil maiores do País não conseguiram atingir com plenitude as iniciativas e metas previstas no plano de TI. Para Lozinsky, embora tenha acontecido uma evolução nesses três anos em que a pesquisa é realizada, essa evolução não foi a ponto de deixar a área de TI confortável com o seu papel dentro da governança da empresa.

O consultor avalia que a dificuldade para atingir a meta estabelecida começa fora da área de TI. “Os planos de TI, de alguma maneira, são consequências dos planos das empresas, ou seja, o que ela julga prioritário e o que ela pretende fazer a cada ano. Se esse planejamento não for muito bem feito, pode ficar sujeito a mudanças, cortes ou redefinições de prioridades. Aí, a chance de impactar em TI é grande”, afirma o especialista, lembrando que as consequências podem ser maiores se a área de TI não participar ativamente das discussões do negócio.

Muito fechada dentro do linguajar técnico do setor, a TI ainda não tem como práticas comuns o planejamento e a definição de metas. Além disso, o desenho de um plano de desenvolvimento para a TI ainda não é realidade para a maioria das empresas. “O estudo apontou que só 20% das empresas confirmaram que executam os projetos de TI ao longo do ano com base em um plano diretor. Ou seja, muitas colocaram que conversam individualmente com as áreas locais, revisam essas conversas de tempos em tempos, muitas vezes trimestralmente, e vão adaptando o trabalho a essas demandas. Não é um plano mais estratégico e global que cubra a empresa inteira”. De acordo com o consultor, o que existe não é um bom plano, mas uma espécie de acompanhamento de demandas, inclusive departamental.

Lozinsky afirma que há razões financeiras também para a falha na execução. Muitas empresas ainda não consideram TI estratégica e, por isso, se há necessidade de cortar algum custo, o primeiro a ser cortado é o investimento em TI. “Não cumprir os planos de TI raramente não deixam sequelas para a imagem do departamento. Esse é o problema. Fica a impressão que TI sempre atrasa, não cumpre. Algumas áreas usam isso para justificar o fato de não ter conseguido alcançar resultados alegando que não cumpriu a meta porque a TI não atendeu à demanda”. De acordo com o consultor, isso acontece e prejudica a governança da empresa em si.

Luz no fim do túnel

Para o CIO do Grupo Libra, José Furtado, a execução é a grande questão da TI e enxerga como sendo de fundamental importância o pleno envolvimento das áreas de negócios. Furtado afirma que a empresa para a qual trabalha cumpre com sucesso de 70% a 80% do plano. “O velho ditado é válido neste caso, o que não se mede não se consegue gerenciar. A TI é um instrumento de transformação e um elemento de viabilização dos negócios. Isso envolve impactos estratégicos nos negócios e constantes projetos. Medir o desempenho da TI significa ter pleno controle e gestão destes fatores”, justifica. Para ele, um dos fatores mais importante é manter as definições e o foco da organização durante a execução. Porém, equipe treinada e preparada, planejamento das ações, apoio dos negócios e pleno envolvimento da empresa também são essenciais para o cumprimento das ações definidas de TI.

Já Edson Feitosa, CIO da TBG, avalia que medir o desempenho de TI é uma disciplina necessária às organizações. O executivo afirma que a companhia atinge 95% da meta em média. Para isso, a empresa faz, a cada 18 meses, uma atualização completa do Plano de Desenvolvimento de TI (PDTI), a partir de consultas aos gestores, balanceamento da carteira de projetos relativamente ao seu alcance (curto, médio e longo prazo) e alinhamento com a estratégia da empresa.

Ele ressalta que patrocínio adequado, plano de comunicação efetivo e disciplina de gestão de projetos ajudam no cumprimento das metas do PDTI. No entanto, demandas urgentes e fatores externos podem impactar. “Como os recursos são limitados, essas demandas deverão ser analisadas pelo Comitê de TI, que procederá mudanças na priorização da carteira, analisando os impactos no orçamento e postergação de outras necessidades. Melhorias em aplicações de SPED, NFe, CTe, além de imposições da holding, são fatores externos”, pontua.

O controle das métricas se justifica na medida em que aumenta a pressão sobre o executivo de TI para maximizar os lucros e reduzir os gastos, na opinião de Carlos Espínola, CIO da Enfil. “O valor da TI para o negócio é cada vez maior, no sentido financeiro principalmente”, acredita. Ele conta que usa a análise de risco como ferramenta de avaliação de informações e de investimento para definir os rumos da empresa. Trata-se de mapear eventos negativos que impactam diretamente sobre o negócio e nas atividades diárias da companhia, além de desenhar ações com base nos investimentos feitos nos anos anteriores, daí a importância de um histórico detalhado das atividades.

Com isso, Espínola afirma que atinge 100% das metas traçadas nos planos anuais de TI da companhia. “Felizmente, sempre encontramos alguma solução e, até hoje, não tivemos nenhum planejamento que não tenha sido realizado 100%”. A receita, segundo ele, é apresentar um projeto novo ou propor novas metodologias que possam melhorar o dia a dia da empresa.

Os departamentos de TI têm muitas práticas que ainda estão sendo desenhadas a partir de erros e acertos. Lozinsky projeta que a tendência é de melhora, mas lembra que tudo depende muito do executivo de TI. “O CIO é o grande interlocutor da área. E, além de ter a consciência que TI é estratégica, ele deve ter habilidade em negociação e comunicação, entender o negócio da empresa e conseguir falar de igual para igual com seus pares, sejam diretores ou gerentes”. É sabido que é possível fazer um planejamento no qual a área de TI não fique tão reativa, mas depende de uma boa governança. “Se a empresa tem uma boa governança, ela envolve a TI em discussões muito preliminares que podem ter impacto nas ações de médio e longo prazo. Então, quanto mais envolvimento, menos surpresas em relação à mudança de planos.”

*Artigo de Flavia D’Angelo | especial para InformationWeek Brasil.

*Crédito da imagem: Wix.

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