Tempo de mudanças: TI precisa respirar negócio

Ter as áreas de TI e negócios alinhadas é o primeiro passo para a inovação em prol da competitividade.


Introduzir novas tecnologias está, com certeza, longe de ser sinônimo de inovar. Em encontro na sede da IT Mídia, os CIOs Fabio Faria e Douglas Tevis, da CSN e do Banco Bradesco, respectivamente, afirmaram o que já era de conhecimento: “A inovação tem que ter um propósito, que normalmente é o core business da empresa, independentemente da introdução de novos processos”, reforçam em comum acordo.


A corriqueira confusão entre o que é ou não inovação passa longe destes executivos, que tem na ponta do lápis o caminho assertivo para o desenvolvimento de um business case com bons resultados.


Ter as áreas de TI e negócio alinhadas é o primeiro passo para um trabalho de sucesso. Em conseguinte está a liberação de verba controlada para desenvolver o projeto, que muitas vezes se torna inviável sem investimento. “É preciso ter uma verba chamada de fundo perdido, às vezes pode ter retorno ou não”, pondera Faria. “Mas dificilmente um case que conta com a equipe de negócio trabalhando em conjunto não dá certo. É algo para melhorar um processo, portanto a participação desta área se faz necessária”.


Esse alinhamento tem ganhado força nas companhias, que têm essa conexão como estratégia. Até mesmo em instituições financeiras, como é o caso do Bradesco, já é notório os profissionais de TI falando de negócio e vice-versa.Tevis agrega conhecimento com seu projeto de mais de 300 agentes de tecnologia permeando a área de negócios em busca de novos produtos e boas ideias. “Estas centenas de pessoas já trazem para nossa área tudo mastigado e dentro das normas de processamento e de segurança”, explica.


Acelerador de inovação

Sem dúvida, a TI tem um papel fundamental de no mínimo olhar para a empresa de uma forma integrada e buscar visualizar de uma forma rápida quais são as potenciais oportunidades que existem internamente, segundo conclusão do debate. Sua solução pode estar dentro da própria empresa. Saber enxergar a habilidade das pessoas é um conselho de Faria. “É mais tranquilo o movimento contrário, entender um pouco de TI do que de negócio”.


Outra dica é deixar o usuário da TI criar. “A partir do momento que ele tem a ferramenta correta ele pode criar. Não é função da TI ficar o tempo todo pajeando e dizendo o que o usuário tem ou não que fazer”, completa o executivo da CSN.Com essa visão, o departamento de tecnologia se transforma em um acelerador de inovação e nas mudanças de processos. O Bradesco, por exemplo, nesse mundo novo, tem o atendimento, na sua maioria, a TI por trás, proporcionando conhecimento de como inovar e evangelizar inovação. “Hoje o banco usa o aprendizado de TI com a integração de negócios para inovar”, diz Tevis.


Mas calma, é claro que não dá para generalizar e achar que qualquer TI pode chegar nesse nível, tem muito trabalho de governança por trás, segundo Faria, da CSN. Para ele, negócio é algo muito peculiar que, independente do segmento, sempre tem uma particularidade que vai diferenciar seu negócio. “É nesse ponto que uma equipe bem preparada pode obter vantagens”, avalia.


Os executivos em debate destacam com frequência que a TI tem que se transformar e buscar entender cada vez mais o negócio, capturar a sinergia, olhar para outros pontos e não só para a própria indústria. Como disse Faria, “saiba adaptar a ideia de outros em seu mundo.”


TI madura

A maturidade da TI é que determina o grau de inovação da companhia. Não ter preconceito de assumir seus erros diante de seus usuários é um dos pontos que integram tal maturação, assim como estar disposto a contribuir para uma diferenciação. Muito mais do que isso, ter conhecimento para gerir os investimentos é fundamental para inovar, embora o dinheiro não faça conhecimento, conforme pontuou Tevis, do Bradesco. “Essa é uma grande verdade, embora a verba ajude bastante. Sem conhecimento não se inova, isso é outro fato.”


Faria segue na mesma linha de pensamento de que a inovação não está necessariamente atrelada a dinheiro, mas que ele pode ajudar a encurtar caminho. “Quando se tem verba limitada é preciso usar muita imaginação. A verba pode eliminar obstáculos, muitas vezes é preciso fazer prova de conceitos para se certificar de que o caminho está correto. Ou seja, a justificativa para inovar acaba ficando mais difícil”, completa. “O grande segredo é conquistar o seu cliente e se mostrar sempre disponível a ajudar, o resto é consequência. Isso sim é inovar.”


*Crédito da imagem: Wix.


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