Profissionais de TI: cada vez mais solicitados e cada vez mais raros

Recente pesquisa mundial conduzida pela IDC apresenta um déficit de aproximadamente 40 mil profissionais de TI no mercado brasileiro e projeta um aumento exponencial na quantidade de número de posições não preenchidas, que deverão atingir pouco mais de 117 mil vagas em 2015.

Num olhar inicial orientado apenas por esses números expressivos, fica-se com a impressão que nesse momento em que a Economia brasileira, após três ou quatro excelentes anos passa por um momento não tão favorável, o setor de TI estará sempre imune às dificuldades quer seja para as empresas provedoras de produtos/soluções ou para os profissionais atuantes ou entrantes nesse segmento da atividade econômica que permeia todos as demais indústrias.


Porém, ao se analisar com uma visão mais ampla e, ao mesmo tempo, mais detalhada podemos constatar que essa falta de capacidade em atender às demandas crescentes é muito mais complexa; o que o mercado brasileiro necessita, em realidade, é de profissionais qualificados que são cada vez mais raros.


Essa lacuna de qualificação resulta de uma série de fatores que necessitam ser abordados de forma objetiva e clara, sob o risco de vermos esse cenário de déficit ampliar-se a limites comprometedores para a evolução do segmento. Podemos destacar alguns desses fatores:


  • O modelo de graduação das Universidades brasileira que, nos cursos relacionados a TI, continuam desenvolvendo currículos extremamente acadêmicos e com pouca ou praticamente nenhuma orientação aos negócios da vida real. A questão aqui não é de atualização tecnológica, mas sim de mudança no conceito de formação das pessoas em cursos universitários.

  • A necessidade premente de profissionais que leva as empresas a: 1) Contratarem pessoas ainda em formação e 2) Alçarem essas pessoas a posições e responsabilidades para as quais ainda não estão devidamente preparadas tanto no aspecto técnico quanto o aspecto estratégico.

  • A combinação dos dois fatores acima que vem resultando numa evasão enorme de alunos dos cursos de TI, que preferem aceitar a oferta de emprego, em sua grande maioria com boa remuneração, e migrar para cursos distantes de TI; reduzindo as possibilidades de uma melhor formação básica (ainda que acadêmica) que poderia lhes auxiliar no desenvolvimento futuro da carreira.

  • A alta empregabilidade que provoca uma majoração não-sustentável nos salários dos profissionais localizados no meio da pirâmide e que, certamente encarece os preços finais dos produtos / soluções ofertados no mercado.

  • O baixo investimento das corporações em programas consistentes de Educação e Treinamento em TI. Os dados mais recentes de mercado mostram que do total de gastos das empresas usuárias com serviços de TI, menos de 2,5% referem-se a iniciativas de Educação e Treinamento.

Se incluirmos outros aspectos como o reduzido universo de pessoas com domínio de outros idiomas, a grande concentração das empresas nas regiões Sul e Sudeste e a velocidade com que as novidades tecnológicas requerem mais e melhores profissionais, podemos concluir que existe uma necessidade urgente de se reavaliar as políticas educacionais e empresariais para reduzir esse movimento de aumento tanto na quantidade quanto na qualificação de profissionais.


Saber aproveitar o bom momento e a maturidade crescente do nosso mercado de TI que continua vendo suas receitas evoluírem a taxas anuais superiores a 10% em um momento em que o PIB apresenta baixo crescimento, para desenvolver uma força de trabalho de padrão mundial pode ser o grande diferencial para que o país possa sair da sétima posição para o “Top 5” em investimentos em TI em todo o mundo.


*Artigo de Anderson Baldin Figueiredo para o portal CRN Brasil.

*Crédito da imagem: Wix.

#ti #corporativa #conhecimento

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