CIO: o dilema de desenvolver o lado estratégico.

Fazer as perguntas corretas, cuidar da comunicação de forma geral e até educar a gestão executiva da empresa sobre o valor estratégico da TI estão entre as tarefas necessárias para o CIO neste momento de transformação da área. Embora muitos reconheçam essa fase de mutação e até enxergam oportunidades nela, no geral, existe uma discussão sobre o como fazer isso. “Quanto custa a TI? Mas quanto custa não ter a TI funcionando? O mais importante é o quanto temos que entender o negócio para estarmos sempre um passo adiante”, pontuou um CIO que preferiu não ser identificado, durante o Workshop Pensamento Estratégico, realizado durante o IT Forum+ 2013, na Praia do Forte (BA).

Pensar estrategicamente e elevar o status interno da TI foram os principais pontos de discussão. Guilherme Maciel, principal na prática de TI da Korn Ferry, que conduziu a atividade, lembrou que manter a luz acesa é importante, mas que o CIO precisa usar todo o conhecimento para romper barreiras. “As empresas são cada vez mais digitais e não importa o segmento de atuação. Vocês têm essa capacidade para ajudar na era digital”, frisou, enquanto aplicava uma atividade baseada no livro For Your Improvement para auxiliar os gestores de TI na identificação dos principais problemas enfrentados no dia a dia.


A ideia principal do workshop foi realmente instigar os executivos de TI a uma reflexão sobre o novo papel que ele precisa assumir internamente e manter a relevância do departamento diante de uma corporação em plena transformação e em um momento quando comprar TI tem sido mais fácil pelo surgimento de modelos como software como serviço (SaaS, da sigla em inglês). “Concordo que o executivo de TI tem vida curta, e tende a morrer o perfil do passado. Mas como funciona a gerência de topo vendo a TI como um gerente executivo? Não sei se nos veem como opção enquanto executivo de negócios. Mesmo em reuniões de diretoria, a TI é sempre o último da agenda e isso é um desafio”, comentou Julio Picelli, CIO da Vard Niteroi.


E realmente, tal desafio é enfrentado em muitas companhias. Pete DeLisi, coordenador do curso de Liderança em TI da Universidade de Santa Clara, nos Estados Unidos, que assistiu ao workshop, concorda com Picelli no sentido de que, no geral, os executivos das demais áreas não entendem a TI enquanto parceiro estratégico. “Mas precisamos educar nossos executivos seniores sobre a TI e seu valor”, insistiu. “Você, enquanto CIO, tendo a clareza sobre o caminho da TI, passa a ter uma atividade mais ampla na educação do time. TI não é apenas tecnologia, mas como você a aplica e ajuda o seu negócio de maneira estratégica. Duas coisas são necessárias: entender para onde a organização vai e qual o seu papel nesse intermeio.”


Mesmo quando as lições compartilhadas por DeLisi e os processos defendidos por Maciel parecem estar aplicados em uma organização, os desafios estão presentes, como compartilhou Harlen Duque, CIO do Grupo VDL, empresa da qual faz parte do board. “Estou lá há 15 anos e há cinco participado do board, onde passei a criticar os processos para melhorar. Até herdei a parte de operações e planejamento da indústria por conta disso. Mas temos que ser o negócio e ter agenda de visita aos clientes e assim ajudar o par”, explicou.

Na mesma linha comentou Eduardo Rabboni, CIO da Algar. A diferença é que ele ressaltou a necessidade de entender as expectativas da empresa em relação à TI. “O que o CEO espera do CIO? É nessa carreira que precisamos crescer, embora o resultado seja coletivo. Às vezes, você quer muito e eles querem apenas o PC funcionando ou o BI fácil de mexer.”


Durante a realização do exercício proposto pela Korn Ferry, a maioria entendeu o momento de transformação pelo qual passa o departamento de tecnologia da informação e as empresas como um todo e, mais que isso, compreendeu a necessidade de desenvolver uma forma de trabalho mais estratégica. Existem muitas oportunidades para o CIO de hoje desde que ele esteja aberto ao desenvolvimento de novas habilidades ou mesmo para aceitar novos desafios como assumir outros departamentos ou até partir para um provedor de tecnologia, como refletiram alguns executivos presentes no workshop.


Como lembrou Maciel, existe sim uma lacuna entre o que os CEOs esperam dos CIOs, mas nada que seja impossível de desenvolver caso o executivo de TI o queira. Durante a realização do workshop, ele apresentou um framework apontando as fases pelas quais os gestores de tecnologia passaram ao longo dos últimos anos, sendo a atual a era da colaboração, na qual o CIO se converte em um agente de mudança. Para caminhar nessa direção, o especialista sugere as seguintes atitudes: abaixar a guarda e solicitar feedbacks, fazer as perguntas certas, tomar o tempo devido para tomada de decisão, buscar ajuda sempre que necessário e administrar a linguagem não verbal.


O que os CEOs querem?

• Criar e pensar o diferente

• Gerenciar relacionamentos diversos

• Tomar decisões complexas

• Demonstrar flexibilidade

• Ser aberto e receptivo

• Habilidades interpessoais

• Se preocupar com os outros


Onde os CIOs falham?

• Criar o novo e diferente

• Tomar decisões complexas

• Demonstrar flexibilidade

• Habilidades interpessoais


O que fazer?

Corra atrás. Apesar dos desafios, há um mundo a ser explorado:

• Qualquer competência pode ser desenvolvida

• As melhores oportunidades para desenvolvimento estão no próprio trabalho

• Profissionais com alto potencial são capazes de desenvolver novas competências facilmente

• Estudos mostram que 70% do desenvolvimento necessário acontece dentro do trabalho, 20% em sessões de coaching e 10% em cursos.


*Artigo de Vitor Cavalcani para o portal InformationWeek Brasil.

*Crédito da imagem: Wix.

#cio #estratégias #negócios

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