Diversidade de conhecimento é caminho para inovar com TI.

Inovação nunca deixou de ser a palavra da ordem nas empresas – sobretudo na área de TI, tida como a porta de entrada para a abordagem estratégica da tecnologia da informação lado a lado com os objetivos de negócio. Esse discurso já é conhecido entre as lideranças, mesmo ainda sendo incerto o real caminho para ser alcançado. Porém, é impossível ser inovador sem ultrapassar as fronteiras de TI e chegar no território de outras áreas dentro da organização.


Na prévia de 2013 do estudo “Antes da TI, a Estratégia” realizado pela IT Mídia, 54,9% dos entrevistados assumiram que a TI atua de forma intensa nos projetos de inovação, como parte do dia a dia do departamento. Qual foi a jornada, então, seguida por mais da metade das companhias consultadas, para encontrar a posição à frente das demandas e criar, de fato, projetos inovadores? A natureza do negócio é um bom começo para trazer ideias de “fora da caixa” da TI. É o caso da M.


Cassab, grupo empresarial conhecido justamente pela ampla gama nas áreas de atuação. A companhia possui 15 unidades de negócio extremamente variadas, passando por desde a criação de peixes e loja de utilidades domésticas até mesmo uma indústria química. Logo, um único departamento de TI responsável por demandas de natureza tão distintas acaba encontrando em um dos segmentos uma solução totalmente impensável para outro, mas que se mostra aplicável, eficaz e inovadora.


“Está no DNA de nossos acionistas a administração de negócios tão diferentes. Unificar as plataformas nos exigiu imensa criatividade para lidar com tanta diversidade”, conta o CIO da M. Cassab, Sergio Bueno.

Essa liberdade foi, inclusive, um dos motivos que levaram o executivo ao cargo – liberdade para atuar com projetos pioneiros e diferenciados.


A autonomia como líder da área permitiu a defesa do plano de negócios para o departamento de TI. Uma vez conquistado o convencimento das lideranças, o orçamento deixou de ser um limitador. Bueno teve seu budget elevado em quase quatro vezes, e para este ano a cifra chegou a R$ 12 milhões. Com liberdade de gestão e recursos, é natural que a inovação seja fluida da TI para as outras áreas da companhia.


Entre alguns projetos classificados como inovadores pelo executivo estão a adoção da nuvem pública, da Amazon, e a contratação de ferramentas de business intelligence da Microsoft. O carro-chefe, contudo, é o projeto RevITaliza, sobre o qual foi desenvolvida toda uma estratégia de comunicação e marketing para contaminar todas as áreas da empresa.


O objetivo da proposta é disseminar por toda a companhia as iniciativas que ajudam a trazer inovação e tecnologia em prol das metas de negócio. No fim das contas, o projeto auxilia também na defesa da TI como a responsável por inovação, de modo que colaboradores de todo o grupo procurem a equipe de Bueno quando possuem um problema – ou uma boa ideia – que requer inovação.


Para ser implantado, o RevITaliza contou com atuação da área de recursos humanos, mantendo a ideia de pluralidade de ideias. “Às vezes a gente se preocupa apenas na ponte da pirâmide, mas olhar pra base é importante para perceber muitas ideias bacanas, que erroneamente correm o risco de ser desprezadas”, afirma Bueno.


Colaboração

O conceito da TI como porta para o caminho da inovação também é compartilhado pela Ultracargo. A solução encontrada para abraçar projetos inovadores na empresa utiliza o mesmo conceito de integrar outras áreas da companhia sob a tutela do departamento de tecnologia, concretizada no desenvolvimento de uma plataforma colaborativa chamada Rede de Ideias.

A iniciativa consiste em uma aplicação em Sharepoint, disponibilizada na intranet, para receber sugestões de qualquer membro da Ultracargo para a criação de uma solução focada numa situação cotidiana. Para garantir que a aplicação chegasse a todos os colaboradores, a Ultracargo instalou totens em suas filiais e promoveu a inclusão digital dos operadores de terminal – dando a eles acesso à rede, e-mail e intranet.


Assim, uma solução de TI foi responsável por concentrar a fase mais embrionária de propostas inovadoras, facilitando a participação e a liderança da área de tecnologia no decorrer da implantação de cada projeto.

“É uma forma concreta de envolver todos os colaboradores na inovação dos processos de todas as áreas da empresa, levando em conta os fatores de produtividade, redução de custos e competitividade”, defende a gerente de TI da Ultracargo, Célia Regina Poliakovas. Em dois anos no ar, foram mais de mil sugestões coletadas e, a cada ciclo, as melhores recebem prêmios da companhia.


Esse caminho permitiu que um coordenador administrativo de Santos (SP), por exemplo, fosse o responsável pela concepção do Projeto Guardião, de automação do controle de entrada e saídas dos vários lotes daquela filial. O principal benefício ao acatar a proposta do colaborador foi a diminuição dos gastos com segurança patrimonial.

“Hoje estamos implantando o Projeto Guardião com tecnologia RFID [sigla em inglês para identificação por rádio-frequência] para rastrear todos os caminhões que transitam entre os vários lotes da filial.”


Pensar o impensável

Quando o próprio negócio exige criatividade e diversificação, a inovação fica mais próxima. A Mineração Taboca não viu escolha senão pensar em alternativas inovadoras para ultrapassar as barreiras de administração de filiais geograficamente distantes. Não raro, o gerente de TI e infraestrutura de TI, Marcos Bueno de Oliveira, lidera implantações antes impensáveis para extração de minerais. Uma delas foi a construção de uma rede de 80 quilômetros de fibra óptica terrestre para atender às necessidades das plantas.


“Não consigo pensar em outro modelo de administração de TI senão esse. A TI deve participar das decisões de negócio para ser capaz de traduzir necessidades e colocar a inovação nas soluções em si”, propõe o executivo. Para ele, ser reativo também é ser inovador, desde que a área de tecnologia seja capaz de implantar ideias incomuns para aumentar a produtividade e eficiência.


Assim como o caso do M. Cassab, a Mineração Taboca coloca o orçamento de TI como prioridade. “Não podemos encarar como centro de custos uma área responsável por alavancar as operações. Por isso, o alinhamento aos negócios é vital, senão um projeto, mesmo inovador, pode não fazer sentido”, finaliza.


*Matéria de Gabriela Stripoli para o portal InformationWeek Brasil.

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